Rússia qualifica de inaceitável ameaça dos EUA de intervenção militar na Venezuela

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, qualificou hoje de “inaceitáveis” as ameaças de uma intervenção militar na Venezuela expressadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

“É necessário superar as diferenças pela via pacífica, através do diálogo nacional e sem ingerências externas, para não mencionar que são inaceitáveis as ameaças de intervenção militar nos assuntos internos desse país", disse Lavrov depois de reunir-se em Moscovo com o seu homónimo boliviano, Fernando Huanacuni.

Trump advertiu, na sexta-feira, que os Estados Unidos têm "muitas opções para Venezuela, incluindo uma possível opção militar, se for necessário”.

Na Venezuela, os protestos contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro intensificaram-se desde abril último. A eleição de uma Assembleia Constituinte, rejeitada pela oposição, para reformar a Constituição da Venezuela agravou ainda mais a situação.

Mais de 120 pessoas já morreram na sequência dos protestos.

Os ministros da Rússia e Bolívia, dois países aliados do regime de Nicolás Maduro, reiteraram a sua rejeição por qualquer interferência estrangeira nos assuntos da Venezuela.

As autoridades russas anunciaram hoje o envio do primeiro carregamento de 30.500 toneladas de trigo para a Venezuela a partir do porto de Novorossiysk, no sul da Rússia.

É a primeira vez que a Rússia exporta trigo para o país latino-americano, que tradicionalmente compra o produto dos Estados Unidos e do Canadá.

Fernando Huanacuni aproveitou o encontro com Lavrov para entregar um convite do Presidente de Bolívia, Evo Morales, ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, para participar na IV Cimeira do Fórum dos Países Exportadores de Gás (FPEG), que vai ocorrer em novembro na cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolivia.

Rússia, Irão, Qatar, Argélia, Bolívia, Egito, Guiné Equatorial, Líbia, Nigéria, Trinidad e Tobago, Venezuela e Emirados Árabes Unidos são os países que fazem parte do FPEG e que controlam 42% do abastecimento de gás mundial.