ONG acusa Governo da Venezuela de executar civis na fronteira com a Colômbia

A organização Human Rights Watch (HRW) acusou hoje as forças de segurança venezuelanas de realizarem execuções extrajudiciais, detenções arbitrárias e tortura, entre outros "abusos flagrantes" contra a população do Estado de Apure, na fronteira com a Colômbia.

A HRW pediu ao Tribunal Penal Internacional (TPI) e à Missão de Investigação de Factos da ONU para realizarem uma investigação à alegada ofensiva contra grupos rebeldes lançada em março pelo Governo do Presidente Nicolás Maduro.

O relatório da organização de direitos humanos norte-americana afirmou que a operação venezuelana "resultou na execução de pelo menos quatro camponeses, detenções arbitrárias, acusação de civis perante tribunais militares e tortura de residentes acusados de colaborar com grupos armados".

"As atrocidades cometidas contra habitantes de Apure não são incidentes isolados por agentes insubordinados, mas sim consistentes com abusos sistemáticos das forças de segurança de Maduro", disse o diretor da HRW para as Américas, José Miguel Vivanco.

As Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) começaram a lutar no dia 21 de março em Apure contra grupos rebeldes, que a ONG Fundaredes descreveu como alegados dissidentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

As FANB declararam que a operação deixou oito soldados e nove “terroristas” mortos, bem como mais de 40 pessoas presas.