De caneta em riste e com a Madeira no coração

Marco Sousa

Arelys Gonçalves, é uma jornalista lusodescendente em Londres. Além do dever de informar, a filha de pai natural do Campanário, tem um grande dever social na ajuda e consciencialização da comunidade em terras britânicas.

A lusodescendente fruto da junção entre duas culturas. Filha de mãe venezuelana e de pai madeirense, a lusodescendente, confessa, sempre esteve ligada às duas culturas. Ainda assim, a luso-venezuelana seguiu a “difícil vida de emigração”, à qual esteve sujeito o seu pai e partiu em direção do desafio ao ser, atualmente, jornalista em Londres.
A jornalista explicou a divisão cultural que sente.

“Há muitos portugueses na Venezuela, sou uma ‘mistura’, a mãe é venezuelana, o meu pai é português, mas sempre estive ligada às duas culturas. Nesse sentido até na comida no Natal ou noutras ocasiões especiais tinha sempre algo da Venezuela e de Portugal, o meu pai sempre tinha aquele interesse em manter a cultura, a gastronomia, a música, estávamos sempre a receber discos que as nossas tias nos enviavam”, constatou.

Arelys, recorda com carinho a viagem que fez a Portugal quando era muito pequena. “Quando era pequena fizemos uma viagem a Portugal, ficámos na Madeira 9 meses, comecei a caminhar, a andar na Madeira. Sempre tive aquela ligação à ilha”, confessou emocionada.

A lusodescendente sempre estudou jornalismo, mas além disso também estudava tradução.“Queria ter aquela ligação com Portugal e estava a ter Português, Inglês, Espanhol, que é a Língua Materna. Aprendi muito rápido [a Língua de Camões], adorava aquelas aulas, sentia que estava tão perto do meu pai, das minhas origens, da minha família na Madeira”, regozijou-se.

Jornal da comunidade portuguesa

Na altura que se estava a formar na Escola de Línguas deparou-se com um jornal da comunidade portuguesa [na Venezuela].
“Levei esse jornal para casa, entrei em contacto e fiquei, foi muito especial para mim”.
Na altura, estava também a trabalhar para uma rádio na Venezuela que naquele momento era rádio mais importante em termos noticiosos, mas não queria deixar de alimentar esta parte de lusodescendente.

“Estive vários anos [no jornal] comecei em 2002, fui editor responsável do jornal. Foi uma experiência muito especial, adorei. Mantenho contacto com o diretor, acho que fiquei com um contacto especial com ele. O contacto com a Diáspora foi uma experiência de vida para mim”, afiançou.
Madeira no coração

Para Aerlys, a Madeira significa família. “É muito particular, na minha vida sempre tive ligação ao ‘cheiro’ de Portugal, com a música, como o Bailinho da Madeira. Para mim é muito especial, adoro a Madeira, se eu pudesse estaria a cada 6 meses lá. Tem muita paz, é [uma ilha] lindíssima, tem paisagens adoráveis, para mim tem tudo é parte da minha vida, é muito especial”.
“Vou sempre ficar com uma grande ligação à Madeira”, terminou visivelmente nostálgica.