Natal madeirense ‘seduz’ emigrantes

Marco Sousa

Já todos dissemos ou ouvimos alguém dizer que o natal madeirense é, de facto, ímpar. Opinião que é comprovada pelos 149 emigrantes madeirenses, residentes na Venezuela, que chegaram à região durante todo o dia de ontem.

Aproveitar o espírito natalício tão característico da Região, apesar das restrições em consequência da Covid-19, foi o grande incentivo para a chegada, ontem, de 149 emigrantes e luso-venezuelanos à ilha.
“Foram 149 passageiros divididos por três voos ao longo do dia. O que significa que metade dos passageiros que vieram de Caracas tiveram como destino final a Madeira”, descreveu inicialmente Rui Abreu, diretor regional das Comunidades e Cooperação Externa.
Estes emigrantes e luso-venezuelanos vêm “passar férias de natal à Madeira” e devem voltar a terras de Simón Bolívar assim que o espaço aéreo venezuelano for aberto a voos comerciais regulares desde terras lusas.

Passageiros já tinham bilhete

Ao contrário das anteriores operações desde a Venezuela, neste “a autorização foi solicitada pela TAP” e teve como objetivo “trazer os passageiros que tinham comprado viagens para os voos regulares da Transportadora Aérea Nacional”.
Rui Abreu, diretor regional das Comunidades e Cooperação Externa, detalhou as características “muitos especiais” do mesmo.
“Trata-se de um voo com características muito especiais. A autorização para realizar este voo foi solicitada pela TAP para trazer passageiros que tinham já comprado viagens para os voos regulares que se iriam reiniciar durante o mês de dezembro”.
Voos estes que não puderam acontecer “porque o governo venezuelano prorrogou o encerramento do espaço aéreo até fevereiro”.
A procura por estas ligações, agendadas para a quadra natalícia, tinha sido bastante elevada. A TAP procurou assim colmatar, ainda de que forma condiciona, esse mesmo transporte.
A incógnita mantém-se e não há certezas se o espaço aéreo venezuelano se irá manter fechado a partir de fevereiro.
Os 149 passageiros deste voo especial entre Caracas e Lisboa já se encontram na ilha. 89 aterraram na Madeira quando faltavam 10 minutos para as 9 horas, 41 às 11h45 e os restantes 19 às 15h35. Todos eles em voos operados pela TAP.

Passageiros "bem cientes"

Os passageiros recebidos pelo diretor regional estavam satisfeitos pois “estiveram pouco tempo à espera em Lisboa”. Rui Abreu garantiu ainda que os mesmos vinham “bem cientes” de que teriam que fazer teste na Região.
“Alguns dos passageiros já surgiram com teste PCR feito na Venezuela. As pessoas estavam conscientes [da dupla testagem imposta pelo Governo Regional] porque nós [Direção Regional] informámos o Consulado em Caracas”, concluiu.
Desde março que o espaço aéreo venezuelano está encerrado. Durante este período já chegaram a território insular cerca de 700 emigrantes e luso-venezuelanos.