Emigrantes e luso-venezuelanos estimulam a economia regional

Os emigrantes e luso-venezuelanos que regressam à Madeira estão a ser peça chave na economia regional. O JM testemunhou variadíssimos investimentos destes cidadãos um pouco por toda a ilha.

Os emigrantes na Venezuela e os seus descendentes, que regressam à região num momento difícil, têm mostrado uma postura de trabalho e de luta, introduzem uma nova dinâmica na Madeira, contribuindo para a criação de emprego e a dinamização económica de muitos concelhos.

Em plena pandemia, quando muitos comerciantes olhavam com incerteza para o futuro, Jesús Escalante decidiu apostar. Investiu, com a sua esposa, num local cujo dono deixou a ilha para retornar à Venezuela. O estabelecimento, localizado na zona da Ajuda, é um dos muitos negócios de capital luso-venezuelano que abriram no Funchal nos últimos tempos.

O "Panas Grill" é especializado em comida venezuelana mas como símbolo dessa integração com a ilha também vendem prego, picado, arepa de bacalhau e criaram uma novidade: o prego na arepa, diz Escalante, que praticou medicina durante 35 anos na Venezuela e já publicou dois livros sobre dengue hemorrágico.

Há 14 anos, Nixta Rodrigues decidiu entrar num mercado em que poucos apostavam na Região Autónoma da Madeira: o dá estética. Hoje tem cinco lojas que oferecem produtos de higiene e cuidado diário, serviços de beleza, cabeleireiro e tratamentos de saúde.

"Na altura era um mercado carente e modesto, mas acabou por ser um mercado interessante”, diz a lusodescendente.

Inovação é a via

Victor Indaburo, proprietário do Niquita, bar e hamburgueria situado na Ajuda, está há dois anos na ilha.“Decidimos vir para aqui porque íamos ter um bebé e não conseguimos voltar à Venezuela. Estávamos nos EUA e só tínhamos a opção de ficar lá ou vir para aqui. A minha esposa é filha de madeirenses, sentia-se mais confortável aqui. Penso que foi uma boa decisão”, congratulou-se.

O venezuelano afirmou que a adaptação tem sido “bastante boa” e reforça que “como venezuelanos” há que se adaptar à Madeira, aos madeirenses e não o contrário.
Projeto começou na Venezuela

“Este projeto [Niquita] veio da Venezuela, a minha esposa e eu já tínhamos feito uma coisa quase igual e saímos de lá com a mentalidade de levar para outros países e outras cidades”, explicou o dono do espaço que tem 1 ano e 8 meses.