África do Sul: ‘Senekal’, a cidade do ‘Free State’ em polvorosa

José Luís da Silva - Correspondente em Joanesburgo (África do Sul)

Senekal, uma cidade da província do Free State, a uma distância de 287 quilómetros de Joanesburgo, é hoje o epicentro de tensões raciais que poderão revestir-se de consequências funestas.

Apoiantes do partido ‘Economic Freedom Fighters’ (EFF), brandindo de tacos de golfe, bastões de cricket e outros objetos gentílicos, dirigem-se ao Tribunal de Senekal, onde serão ouvidos, hoje, dois presumíveis autores do homicídio de Brendin Horner, um jovem de 21 anos, agricultor, “africkaner”, que foi seviciado com requintes de malvadez, assassinado e posteriormente amarrado a um poste com a amputação dos pés a partrir dos tornozelos.

Estão a ser envidados esforços pela polícia para evitar confrontos violentos entre o EFF, que ali chegou em diversos autocarros esta manhã, e a ONG Afriforum – admitida na NU na semana passada - e também com outras formações Afrikaners.

Esta pequena cidade, de apenas 37,1 quilómetros quadrados, com cerca de 30.000 habitantes, encontra-se desde as primeiras horas de hoje cercada de arame farpado. Revistas, buscas a veículos e pessoas, veículos policiais e helicópteros indiciam bem o alvoroço que se vive nesta localidade agrícola da África do Sul.

Os assaltos e crimes relacionados com a agricultura, custam à economia sul africana aproximadamente 7,5 biliões de randes por ano e o combate para achatar a espiral ou neutralizar a criminalidade, têm-se mostrado ineficiente.

Um estudo levado a cabo pela University of South Africa (Unisa) e Agri-SA, concluiu que o país está a ser assolado por uma onda de crimes violentos contra agricultores estabelecidos e emergentes.