Covid-19: Operações aéreas restringidas até 12 de novembro na Venezuela

Lusa

As autoridades venezuelanas decidiram manter as restrições às operações aéreas no país, até 12 de novembro, devido à pandemia da covid-19.

O anúncio foi feito hoje pelo Instituto de Aeronáutica Civil da Venezuela (INAC), através da NOTAM (aviso aos navegantes com informação aeronáutica) C0864/20

Segundo o INAC as restrições às operações aéreas têm por base “diretrizes do Executivo Nacional, para continuar a garantir a segurança do povo venezuelano e a dar o apoio necessário durante a atual contingência perante a pandemia da covid-19”.

No documento, datado de 12 de outubro, o INAC explica que “ficam isentas as operações em estado de emergência, os voos de carga e de correio, aterragens técnicas, voos humanitários, repatriação ou voos autorizados pelas Nações Unidas e a passagem aérea de voos de carga e comerciais”.

Como medida preventiva, para evitar a propagação do novo coronavírus, os passageiros naqueles voos “deverão cumprir a quarentena social coletiva sob estrita supervisão do Estado, assim como submeter-se às avaliações médicas correspondentes”, explica.

“Os voos excetuados deverão contar com uma pré-autorização da autoridade aeronáutica venezuelana, e das autoridades sanitárias e de migração”, salientou.

Segundo o INAC os “aeroportos de Maiquetía [a norte de Caracas], Maracaibo, Porlamar, Barcelona, Barquisimeto, Valência, Punto Fijo, San António del Táchira, Santo Domingo, Puerto Ordáz, Maturín e Caracas [a sul da capital]” estão fechados aos voos internacionais para prevenir a covid-19.

A restrição às operações aéreas na Venezuela começou em 12 de março, primeiro com os voos provenientes da Europa e da Colômbia, e depois a nível global, com o propósito de travar a pandemia da covid-19 no país

Em setembro, o vice-ministro de Transporte Terrestre, Cláudio Farias, anunciou que as autoridades se preparam para permitir o transporte terrestre de passageiros entre as diversas regiões do país e reabrir os aeroportos para voos nacionais.

Segundo Cláudio Farias, só depois é que vão ser suspensas as restrições aos voos internacionais.

A imprensa local aponta a escassez de gasolina como um dos entraves à reativação do transporte terrestre de passageiros entre os diversos Estados do país.

Ainda segundo a imprensa local, as agências de viagens e algumas companhias aéreas estão a propor ao Governo venezuelano que reabra os aeroportos a partir de novembro, primeiro para os voos irregulares e nacionais e a partir de dezembro para as operações internacionais.

Em 29 de agosto último, o principal aeroporto da Venezuela, Simón Bolívar de Maiquetía (norte de Caracas), anunciou que adequou os seus espaços para cumprir com os protocolos de biossegurança, para uma reabertura controlada.

Na Venezuela estão confirmados 84.391 casos de covid-19, que causaram 710 mortes, enquanto 76.262 pessoas recuperaram da doença.

A Venezuela está desde 13 de março em estado de alerta, o que permite ao executivo decretar “decisões drásticas” para combater a pandemia.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e oitenta e um mil mortos e mais de 37,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.110 pessoas dos 89.121 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.