Emigrantes sonham com um campo de Basebol na Madeira

Délia Meneses

Um grupo de portugueses que está de regresso à ilha, com o apoio da Junta de Freguesia de São Martinho, organiza-se para formar crianças e jovens e reactivar este desporto.

José Fernandes nasceu na Rua do Til, no Funchal, mas emigrou para a Venezuela aos 11 anos. Aos 13 anos apaixonou-se pelo basebol ao ponto de que não se importava deixar de comer para jogar "pelota" nas ruas de Macarao, em Caracas. "Nessa altura toda a gente jogava basebol na rua a qualquer hora", lembra o emigrante que regressou à Madeira em 2018 como tantos outros à procura de melhores condições de vida.
Essa "febre" pelo basebol não diminuiu com o passar dos anos, as suas habilidades no jogo levaram alguns a compará-lo a Joe Ferguson, ex-jogador das Grandes Ligas. Foi uma paixão que ele quis passar para o filho, a quem religiosamente levava às práticas. Na Venezuela, Fernandes, que se dedicava ao comércio, também foi treinador.
Quando regressou à sua terra natal, Fernandes nunca pensou que esta disciplina voltaria a cruzar-se no seu caminho, até que em abril de 2019 a Venecom, as autoridades de São Martinho e a Associação de Basebol da Madeira organizaram um jogo no campo do Exército (RG3), que reuniu cerca de 120 pessoas.
Foi um domingo em família para "matar saudades" e começar a concretizar um sonho partilhado por muitos dos que assistiram ao encontro: ter um campo de Basebal na Madeira.
Naquele dia Fernandes surpreendeu-se ao perceber que a disciplina tinha adeptos na ilha. E não demorou muito tempo para formarem uma equipa: o Basebol Club São Martinho, que treina todos os domingos no campo de futebol sintético de São Martinho, ao lado do cemitério.
Junto com Fernandes está Antonio Sanz, um venezuelano casado com uma madeirense que adotou a ilha como seu lar. O desejo de ambos é que o seu desporto favorito tenha adeptos e jogadores em Portugal. "Se outros países como Itália, Holanda ou Brasil já fizeram campeonatos, por que não fazer aqui", questionam.


Conquistar aliados

E assim estão a conquistar aliados. João Inácio Abreu é professor de Educação Física na Escola Secundária Jaime Moniz, a instituição de ensino pioneira na prática desta disciplina na Madeira. Lá, os seus 2.900 alunos jogam basebol desde 2000. O apoio de Abreu tem sido fundamental, assim como o do técnico Carlos Sousa, de Duarte Caldeira, presidente da junta de freguesia de São Martinho e de Miguel Gouveia, presidente da Câmara Municipal do Funchal.
"Sem eles não teríamos sido capazes de fazer nada", garante Fernandes que, juntamente com Sanz, realizou na quarta-feira passada uma formação sobre as regras do basebol, aberto a todos os amantes e praticantes da modalidade. Foi feito na Junta de Freguesia de São Martinho, onde tem um gabinete que funciona como sede, cedido pela autarquia.


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