Doentes e pensionistas ‘presos’ na Venezuela

Delia Meneses/Marco Sousa

Devido à pandemia o governo venezuelano mantém o espaço aéreo fechado a voos comerciais até 12 de agosto. David Pinho, administrador de uma agência de viagens em Caracas, alertou para a comunidade portuguesa no país, isolada e sem qualquer ligação aérea com Portugal.

David Pinho, que administra uma agência de viagens em Caracas há mais de 30 anos, não ficou surpreendido com o facto da TAP não ter incluído a Venezuela nas rotas que vão ser retomadas em agosto e setembro pela companhia aérea.
Recorde-se, a companhia aérea de bandeira portuguesa, anunciou no dia 27 do passado mês a retoma de várias rotas em agosto e setembro. Apesar de estar previsto o regresso de 40% da operação normal pré-covid, a Venezuela não faz parte dos planos da TAP até ao final de setembro.
As atuais condições da Venezuela, devido à pandemia da covid-19, não oferecem garantias para a realização de voos pela crise sanitária que existe no país e as dificuldades para cumprir a quarentena. Além disso o Instituto Nacional de Aeronáutica Civil da Venezuela informou que se mantêm as restrições em voos comerciais até o dia 12 de agosto.
Acrescenta-se a falta de combustível, a incerteza jurídica no país e a confusão política. Especula-se que a TAP possa incluir Curaçau como ponto de paragem para abastecer as suas aeronaves de combustível assim que as operações na Venezuela forem retomadas.

Comunidade isolada

Entretanto, a comunidade portuguesa radicada na Venezuela está isolada pois não tem nenhuma ligação aérea com Portugal, confirmou Pinho, a não ser os voos humanitários organizados pelo Consulado Geral em Caracas. Até a data realizaram-se dois, mas não têm sido exclusivos para portugueses e lusodescendentes, também incluíram espanhóis e italianos, esclarece o agente de viagem.
Revela que alguns dos seus clientes tiveram que partir como repatriados para Portugal, quatro deles num primeiro voo e depois outros sete de Maracay, numa segunda viagem promovida pelo governo português no país sul-americano.
"Há poucos dias duas pessoas chegaram à agência pois tinham urgência de viajar para Portugal e o que eu fiz foi digitalizar os seus passaportes e enviá-los ao Consulado para que sejam incluídos no próximo voo de repatriamento", cuja data ainda se desconhece, explicou Pinho, considerado o terceiro vendedor dos destinos Porto e Lisboa na Venezuela. 90% das passagens que vende ‘Viajes Pinho’ têm como destino Portugal.
"Alguns dos regressados que entraram na Europa através de Madrid tiveram que viajar de autocarro para Lisboa, alguns levaram três dias para chegar aos seus destinos", alerta.

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