A VELHA FÁBULA

Uma vez mais o transtorno de inverno bate-nos à porta.

Gostaríamos de questionar o Presidente do Governo Regional, acerca do isolamento a que fica sujeita a Nossa Ilha Dourada durante este período do ano. 

A paragem anual do navio Lobo Marinho vem trazer à memória a velha fábula da cigarra e da formiga, porque nesta época do ano è sem dúvida a mais penosa para quem escolheu esta ilha para viver.

Há muito que reivindicamos uma companhia aérea capaz de fazer face às nossas carências, pois com esta não podemos contar para nos trazer os alimentos frescos e tudo o que necessitamos para o nosso dia a dia.

Lutamos e reivindicamos, ano após ano, por melhores transportes e acessibilidades, junto do Governo Regional e junto do Governo da República.

Ainda há poucos dias, verificamos que o próprio Lobo Marinho não efetuou as três viagens previstas, de sexta, sábado e já esta semana, segunda-feira. Ou seja, ficámos quatro dias sem abastecimento na ilha, numa altura festiva, em que as pessoas estão em casa e o avião não vem, nem de perto nem de longe, responder às nossas necessidades coletivas.

Estamos cientes de que o navio precisa de manutenção, são os portossantenses quem mais beneficia com isso. Mas, a alternativa, se o mar não permitir que o porta-contentores passe aqui todas as semanas e atraque é nula. Não podemos depender de um avião que, apesar de poder satisfazer as necessidades dos poucos passageiros que costumam viajar nesta altura, não vem colmatar outras necessidades e lacunas. Temos de olhar de uma vez por todas para o Porto Santo como parte integrante do arquipélago e do território português, como residentes e não como um lugar que está fechado para balanço de inverno.

Por outro lado, cada vez mais temos turistas nórdicos que, apesar de viajarem com sistemas de tudo incluído, querem conhecer a ilha e desfrutar da segurança, paz e saúde e bem-estar.

Encontram restaurantes e cafés fechados, como se fôssemos uma ilha fantasma. A título de exemplo: um turista interessa-se por uma peça numa loja, mas não há o tamanho dele. Não podemos encomendar nada, porque sabemos que quando chegar o cliente já regressou ao seu país de origem. Até pode parecer ridículo o exemplo, mas a verdade é que como esse há muitos e não precisa de ser com visitantes. Os portossantenses vivem isolados durante um mês e todos os anos sabemos que durante o período de estaleiro do navio temos de puxar pela imaginação para fazermos uma coisa tão simples como comer diariamente.

Sabendo que, aquando da formação do seu governo, o Sr. Presidente do Governo assumiu o Porto Santo e os seus problemas como uma prioridade, gostaríamos de questionar V. Exª. se já temos diligências para colmatar a ausência de transporte marítimo inter-ilhas durante aproximadamente seis semanas.